24 de ago de 2016

O meu maior orgulho:Eu.

A primeira vez que eu trabalhei pra Tam foi por acaso. Poucos meses pós término do meu estágio no governo eu estava buscando meu salário de volta e meu primeiro registro em carteira. Foi ali na ctx da Pedro II, em uma entrevista generalista que eu havia sido aprovado para dois produtos. Em um eu poderia simplesmente entregar os documentos e começar no dia seguinte , para o outro eu precisava fazer mais algumas provas e dinamicas. Era a Tam, mas eu não sabia. Optei por este, coisas fáceis nunca foram pra mim.






Sendo o único aprovado daquela "leva" ,iniciei o treinamento com muito afinco. Estava empolgado, mas a principio meus olhos não se encheram. Trabalhar em uma cia aérea nunca foi sonho, e mesmo com muita intimidade com o sistema, os procedimentos e a linha, eu não pensei que atender Vermelho e explicar sobre milhas era pra mim e acabei pedindo as contas.

Quis o destino que depois de ter passado pelo UOL e o Banco Itaú, nesse mesmo periodo, 2 anos depois eu recebesse uma ligação pra fazer uma prova e uma entrevista para a propria Tam.

 Eu recém desempregado, ex-Itaú decidi ir. Cheguei na agência, fiz uma prova, (bem parecida com aquela já superada anos atrás), recebi o resultado na mesma hora e já fui entrevistado inicialmente pra passar pela primeira "triagem".

De agosto até o final de outubro não tive nenhum retorno sobre este processo, também não fazia questão nenhuma, era indiferente, eu estava confortavel.

Em meados de outubro recebo novamente um convite para finalizar o processo com a coordenadora da empresa. Era a dona Rosa, que logo apelidei de "Gwinet". Eu arrasei. Sei que sim. E se repetia o mesmo fato de anos atrás. Eu era o unico aprovado daquela "leva".

Em novembro de 2012 eu vestia um crachá novo. No QG da Tam, cercado de comissários e comandantes eu notei a grandiosidade da minha conquista. Não tirei a foto classica em baixo do aviaozinho... Mas sai dali muito satisfeito.

Em treinamento, vi um grande filme na minha cabeça. Muita coisa era igual e eu já tinha meio caminho andado, a experiencia obtida anos atrás não foi desperdiçada. Mais uma surpresa na minha vida.

Não posso reclamar sobre as oportunidades que tive. Trabalhando efetivamente pude mostrar quem sou. Os vermelhos não me intimidavam como antes, metas e notas de qualidade eu tirava de letra. Ali, naquele lugar eu tive a oportunidade profissional ideal praquele momento.

Foram 3 anos no total, e eu sei que poderia estar sendo até hoje. A mesma oportunidade que me deram eu mesmo tirei de mim. Quis a vida que eu passasse outra coisa e outro alguém na minha frente. Com isso, eu briguei, me expus, abri mão de oportunidades que não eram "compatíveis" ou que não eram pra dois, recusei convites e me encostei em um marasmo que eu jurava ser pra sempre. Perdi. E a culpa foi só minha.

Com tanta escolha torta e com a falta de foco e atenção com a minha própria  carreira eu fracassei. Perdi o meu emprego, a minha renda, perdi o meu crachá, minha rotina e principalmente a chance de continuar essa história.

Também quis a vida que dentro de alguns meses, ironicamente eu perdesse todo aquele marasmo, comodismo e segurança (em que mesmo?). Que eu refletisse sobre as minhas escolhas e me arrependesse delas. Que eu tivesse esfregado na minha cara e sentido o gosto amargo da ingratidão, da confiança e da decepção. Superei.

Hoje é bem verdade que eu não faço uma boa faculdade, que eu estou solteiro, não tiro fotos e selfies alegres. Que eu não carrego nenhum crachá ostentação no peito e nem recebo um senhor salário, mas ainda assim eu tiro o chapéu pra mim.

Tiro o chapéu pra mim porque sempre que olho pra trás abro um sorriso largo no rosto e sinto um sentimento unico de satisfação e orgulho da minha história. Sou convicto que nela eu fui o protagonista, diretor, escritor e tantos outros cargos que eu acumulei com maestria.

Colecionei nesta historia muitos erros, mas são os méritos que me interessam, sei que muitos deles jamais serão dados, sei que pra muita gente nada disso pode fazer sentido, mas sei também que pra outra (s) cada letra será interpretada e muito bem compreendida. Mesmo que lá no fundo, sem ninguém ver.

Hoje eu anseio pelos proximos dias. Pelas próximas histórias,  pelos próximos erros e acertos. Pelas próximas escolhas, sejam elas certas ou erradas. Anseio pela continuidade da minha vida e de momentos como este, onde eu possa sentar e ter uma -boa- historia pra contar graças à mim, só à mim.

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